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DESENVOLVIMENTO CRIATIVO, CONEXÕES CEREBRAIS
E ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA
por Giovana Tessaro - Curitiba, novembro de 2008.
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A criatividade está no próprio processo de formação do cérebro. As contínuas transformações do
universo, mesmo antes da formação da vida animal, fazem parte disso. Ao ser formado, cérebro
passou a recriar a realidade e a si mesmo. Somos ao mesmo tempo criadores e criação.
Cada ser humano é único. Mesmo os gêmeos tornam-se diferentes em suas possibilidades por
conta das interações com o ambiente. Tais interações formam conexões cerebrais próprias do
sujeito. O cérebro é o orgão que mais se modifica na relação com o ambiente.
Somos originais por natureza. Nosso corpo e cérebro são únicos. O cérebro é constituído
basicamente pelos neurônios. Temos bilhões de neurônios, cada um com a capacidade de fazer
muitas conexões com vários outros neurônios. 4 quatrilhões de conexões foram comprovadas e
matematicamente estimam-se 10 quatrilhões de conexões. Imagine isso em termos de
combinações para nossa capacidade criativa e curativa!
Como o EMDR e o Brainspotting possibilitam o desbloqueio das redes neuronais e a organização
de novas conexões eles têm sido cada vez mais utilizados para a potencialização da capacidade
criativa de leigos e artistas: atores, escritores, designers, pintores, dançarinos, coreógrafos,
cantores, músicos, compositores... O objetivo do trabalho é estipulado pelo paciente; soltar a voz,
deixar fluir idéias, “entrar no personagem”, por exemplo.
Mesmo quando a queixa do cliente não é sobre criatividade vê-se a criação: novas perspectivas,
idéias, sensações e até expressões faciais e corporais surgem. Nas sessões seguintes os
pacientes trazem relatos de novas atitudes, muitas vezes surpreendentes pra eles mesmos.
O processo de cura/criação inclui novas associações entre idéias, fusão entre imagens, reciclagem
de experiências (não necessariamente traumáticas), a comunicação entre diferentes regiões
cerebrais aumenta incluindo nossa mente inconsciente. A criatividade “é uma atividade que utiliza
todas as capacidades de processamento que possuímos.”(ARTONI, 2004).
Pontos importantes para “uma mente brilhante”:
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conectar teoria e prática: entender o significado de uma idéia e disponibilizar o corpo para a
concretização |
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saber observar e discernir |
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pensar visualmente |
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capacidade de abstrair, teorizar |
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reconhecer padrões e variáveis |
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capacidade de generalizar |
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percepção muscular, sensorial |
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pensamento dimensional |
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criar modelos que facilitem a experimentação |
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brincar! |
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“...as brincadeiras, exercitam e desenvolvem o raciocínio por meio da prática. A fantasia favorece o
pensamento analógico, a representação e a empatia ao invocar um mundo fictício.
O jogo ensina como executar regras dentro de situações externamente demarcadas.”(ARTONI, 2004). |
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vivenciar diferentes culturas |
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| “Habilidades e conceitos adquiridos de diversos modos têm mais chance de sucesso do que idéias adquiridas em contextos específicos. Observe qualquer esforço criativo e você irá encontrar invariavelmente idéias e insights transformados de experiências passadas, combinando diversas ferramentas de pensamento e diferentes linguagens expressivas. Idéias especializadas são limitantes.” (ARTONI, 2004). |
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O Dr. David Grand, descobridor do Brainspotting, costuma dizer que ser criativo não significa
apenas ter idéias criativas mas sim colocar idéias criativas em prática. Este é o grande desafio.
Ele ainda diz “ não existe cura sem criatividade e nem criatividade sem cura”. Considerando suas
idéias dois pontos chamam a atenção: 1) a criatividade é necessária para nossa saúde 2) a
criatividade e a saúde precisam ultrapassar a barreira do imaginário e superar os desafios impostos
pelo real. Tais considerações me remetem ao paradigma do Ócio Criativo explicitado por Domênico
de Masi. O Ócio Criativo é a transição entre trabalho, estudo e lazer de uma tal maneira que os
conhecimentos advindos de uma área possam ser aplicados às demais continuamente. A dicotomia
entre mente e cérebro, corpo e mente, trabalho e lazer, teoria e prática, micro universo e macro
universo, seria vista em outra perspectiva ampliando as possibilidades de ser. O interesse pela
vida seria o foco em todos os momentos e o trânsito de informações mais saudável e criativo
construindo uma nova ética: um sentido para a vida que considere a estética da existência.
Referências Bibliográficas:
ARTONI, C. Mentes Que Brilham. Revista Galileu. São Paulo: Editora Globo S.A., 2004.
DE MASI, D. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
GRAND, D. Cura Emocional em Velocidade Máxima: o Poder do EMDR. Brasília: Nova Temática,
2007.
MORA, F. Continuun: Como o Cérebro Funciona? Porto Alegre: Artmed Editora S.A., 2004.
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