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O que é EMDR?
O EMDR é uma abordagem que ativa mecanismos de cura e criatividade do nosso cérebro.
A técnica foi descoberta por no final da década de 80. Inicialmente era utilizada
para pacientes que sofriam de stress pós traumático, hoje seu uso foi ampliado para outras
patologias bem como para a otimização do desempenho. Cresce a cada dia o número de assegurando a eficácia do tratamento e manutenção dos resultados obtidos. A sigla
EMDR significa Eye Movement Desensitization and Reprocessing: Dessensibilização e
Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares.
Como funciona?
Para que você entenda o funcionamento do EMDR é necessário um breve esclarecimento sobre:
1. A anatomia do cérebro
2. Sono e sonhos
3. Trauma ou “ferida cerebral”
1. A anatomia do cérebro:
Você já deve ter visto fotografias do cérebro apresentando uma grande divisão entre hemisférios
direito e esquerdo.
No lado direito predomina o comando das nossas emoções e potencial artístico, enquanto no
esquerdo há o predomínio das conexões que regulam nossa capacidade racional e lógica.
Outra divisão importante é fruto da história da nossa evolução como animais. São diferenças
marcadas por três momentos da evolução: répteis, mamíferos, humanos.
Assim temos estruturas cerebrais carregadas das características de cada etapa da evolução. De
forma simplificada o “cérebro” que herdamos dos répteis controla nossas funções autônomas, o
que herdamos dos mamíferos, as emoções e, por fim, o “cérebro humano” nossas produções
humanas: linguagem, abstração, matemática, arte, uso de ferramentas sofisticadas, etc.
É importante dizer que estas estruturas não possuem apenas uma diferença anatômica mas
também características bioquímicas diferentes e organização celular diferente.
Sendo assim, a passagem de informação dentro do próprio cérebro encontra barreiras que
dificultam a harmonia entre razão, emoção e ação.
2. Sono e Sonho:
Você já deve ter visto alguém dormindo e, mesmo com as pálpebras fechadas, movimentar os
olhos. Isto faz parte de uma fase do nosso sono: o sono R.E.M. (Rapid Eye Movement: Movimento
rápido dos olhos).
É nesta fase que acontece a maioria dos nossos sonhos e a nossa atividade cerebral é similar
àquela de quando estamos acordados ou é ainda mais intensa, nossos batimentos cardíacos e a
respiração aceleram bem como nossa pressão arterial, diferente de outras fases do sono em que
há relaxamento da nossa fisiologia.
Os sonhos reciclam nossas experiências para que possamos viver da melhor forma o presente
arquivando o passado e planejando de forma inteligente nosso futuro. Esta reciclagem, ou
processamento das informações pode ser comparado com o trabalho de nosso sistema digestivo:
ingerimos os alimentos, há separação das vitaminas, açúcares, proteínas e gordura para a nutrição
do nosso corpo e o que não usamos é excretado. Mas o sistema digestivo tem uma vantagem em
relação ao cérebro: se comemos algo muito pesado ou que não “cai bem” vomitamos expulsando o
que fez mal. Quando vivemos situações pesadas ou que excedem nossa habilidade de lidar com a
realidade, o cérebro tenta reciclar o que puder. O que não conseguir reciclar continua a ativar o
corpo como se a vivência passada ainda fosse presente.
Ah! A movimentação dos olhos enquanto sonhamos é reflexo da atividade de processamento que
flui entre diferentes regiões do cérebro.
3. Trauma ou “ferida cerebral”:
O trauma ocorre quando não conseguimos reciclar uma experiência. A comunicação entre regiões
cerebrais ainda não são suficientes para elaborarmos o que vivemos mesmo com o trabalho dos
sonhos e todo o sistema cerebral de adaptação e processamento.
Em geral, os traumas são causados por violência, abuso, a perda de um filho, situações não tão
graves mas que ocorrem quando estamos despreparados, fragilizados, impotentes, quando somos
surpreendidos ou situações que se repetem demais.
Os traumas nos trazem sofrimento e/ou desperdício de energia. Eles estão na raiz do sofrimento
psíquico, das doenças psicossomáticas, de um grande número de patologias mentais e
dificuldades de desenvolvimento. Independente do nome que dermos para o sofrimento e as
dificuldades de desenvolvimento só o ser humano traumatizado pode dizer o que se passa e, às
vezes, ele mesmo não encontra palavras para descrever o que está acontecendo.
Nem sempre associamos nosso sofrimento ao trauma. Mas independente da consciência, as
“feridas cerebrais” pulsam revivendo o passado através de imagens, lembranças, pensamentos,
sons, cheiros, gostos, sensações corporais, sentimentos e/ou ações. O pulsar das “feridas
cerebrais” é também uma tentativa desesperada do cérebro de processar nossas experiências, por
isso repete, repete, repete e repete gerando sintomas. Podemos dizer que os sintomas tem tanto “o veneno quanto o remédio”.
Estas feridas cerebrais estão principalmente em nosso cérebro emocional, regiões nas quais os
pensamentos e a comunicação verbal tem pouco ou nenhum acesso. Por isso acabamos por falar
frases como:
“Eu não sei porque eu faço isso ! eu não queria fazer !”
“Eu sei que não devia me sentir mal, mas não consigo me sentir bem!”
“Eu sei que isso tudo é passado, mas eu não consigo esquecer!!”
“Na teoria eu sei, mas na hora de fazer...”
“Não adianta desabafar, parece que as coisas só pioram... eu não tenho saída.”
“Não adianta tentar me ajudar, eu só me sinto pior...”
Agora posso explicar como o EMDR funciona:
O EMDR aumenta a troca de energia entre os “diferentes cérebros” e entre seus hemisférios,
destravando-os. No EMDR, as barreiras encontradas por conta de nossas divisões e diferenças
cerebrais perde a força pois há um fluxo mais rápido e intenso em nosso sistema de adaptação de
informação e processamento, um instinto de cura. Assim o passado perde sua carga negativa
tornando-se apenas uma lembrança, e a energia negativa é transformada para vivermos o presente
e o futuro com mais conhecimento, habilidade, prazer e saúde!
Como o cérebro é acessado pelo EMDR?
Da mesma maneira que ele recebe as informações do ambiente: visão, audição, tato, olfato e
paladar.
Como o EMDR é aplicado?
Existem algumas etapas. Mas o básico é composto de:
perguntas que ativam diferentes regiões cerebrais de ambos os hemisférios.
Estimulações sensoriais bilaterais que promovem o fluxo de energia entre diferentes regiões
cerebrais de ambos os hemisférios, integrando as informações e transformando-as.
Em todo o processo o paciente mantém-se consciente. Estar acordado é fundamental, assim o
cérebro entende que está no presente e que o que está ocorrendo lá dentro são só lembranças. É
o que chamamos de atenção dual.
Inicialmente eram usados apenas os movimentos oculares (lembre: no sonho os olhos se movem
quando dormimos) depois percebeu-se que sons e toques bilateralizados tinham o mesmo efeito. |